Página do Partido Social Democrata de Odemira
Hipocrisia, deserções e militância…
- Detalhes
- Publicado em 30-06-2019
Hipocrisia, deserções e militância…
As notícias recentes da comunicação social referem, ainda que de forma diferente, como alguns factos aparentemente dissociados podem concorrer para influenciar a campanha eleitoral que se avizinha. Na prática, ela já começou há muito tempo, mas agora os mesmos atores ensaiam novas táticas de captura de votos, não hesitando em recorrer às mais hipócritas e cínicas das artimanhas para os conseguir. A vergonha perdeu-se de todo e o respeito pelos eleitores, definitivamente atingiu níveis absolutamente degradantes. Nem o Engº José Sócrates desceu tão baixo na relação com os eleitores nem expôs tão descaradamente a endémica utilização do cinismo e hipocrisia politica, sistematicamente utilizada pelo Partido Socialista.
Ouvir o governo acusar a oposição de aproveitamento politico, quando esta o acusa de inépcia e incompetência nos incêndios de Pedrogão Grande, Castanheira de Pera e Monchique, não é nada, quando comparado com o escandaloso aproveitamento mediático dos que pereceram, ou do sofrimento dos que ficaram incapacitados temporária ou definitivamente, ao predispor-se hipocritamente a figurar em atos públicos em memória daqueles que deveria ter protegido, não fosse a sua incapacidade e incompetência.
Noutro plano, uma figura de relevo do PSD bate com a porta em discordância com Rui Rio a pouco mais de cem dias das eleições legislativas. Se as discordâncias são um direito alienável dentro do conceito da social-democracia e do partido, que defendo, os momentos para a sua manifestação, não devem, pela sua oportunidade gerar contributos manifestamente negativos para os objetivos do partido a curto, médio ou longo prazo. E, os interesses do partido enquanto força politica, e o que ela representa como defensora de um ideal de democracia que consubstancia nas suas principais vertentes a coesão social, o desenvolvimento económico, a segurança nacional, a eficácia da justiça e uma educação e desenvolvimento intelectual dos cidadãos, não podem ser condicionados ou preteridos pela ação de qualquer militante por maior que seja o seu ego ou, maior ainda, seja a sua discordância para com o líder do partido. Nem este, poderá estar nunca, acima dos interesses do partido no plano da sua intervenção, na política nacional. Servir o partido é, e terá que ser sempre, servir primeiro Portugal. Seja no governo, seja na oposição.
Finalmente, a militância e as formas como ela se revela no espectro politico, no plano nacional. As restantes forças políticas revelam de per si, um sentimento aglutinador de vontades dirigidas no sentido da defesa das suas convicções, ideais, projetos e orientações politicas que não raras vezes se sobrepõe à racionalidade, à lógica e aos princípios e valores universalmente aceites, recorrendo mesmo, se necessário for, ao cinismo e à hipocrisia sem pejo nem vergonha. Recorrendo muitas vezes ao uso de personagens formatadas que promovem a mensagem até à exaustão, tornando pela insistência na sua divulgação, a mentira numa verdade absoluta, colocam a militância no topo das suas prioridades. Alguns militantes (?) do PSD tem preferido colocar a prioridade da sua militância na exibição do seu enorme ego em oposição à atual direção política, subvertendo nitidamente os princípios tantas vezes referidos por Francisco de Sá Carneiro, “ primeiro Portugal, depois o partido e depois cada um de nós”, mas não se coibindo de o referir sempre que tal lhes dá jeito.
…” Ouvimos o cante da cigarra, mas não dispensamos o trabalho da formiga”…
Arménio Simão
Vice-Presidente do PSD Odemira